quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um Conto... Algumas Possibilidades... Duas Esperanças...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Era uma manhã de sexta feira de um tempo fechado, cinza e feio, uma garoa fina com um vento gelado que cortava a atenção de qualquer pensamento absorto. Ele pensava muito nas situações e atitudes que determinavam o fim de um relacionamento, o mais duradouro que tivera ate então. Olhou para seu relógio que marcava 07:45, percebeu que estava adiantado para o serviço, e que daria tempo para um desjejum, entrou em uma padaria a caminho de onde trabalhava pediu um chá mate quente para se esquentar e um pão de queijo aparentemente fresquinho fumaçando, embaçando o vidro da estufa pelo calor. A agitação das pessoas ao tomar o café da manhã, faladeiras e impacientes, era menos incomodo que o vento gelado que o impendiam de continuar seus pensamentos, matando sua fome era ate mais facil de retoma-los. Não achava facil se conformar afinal foi um tempo da sua vida que dedicara para que seu relacionamento desse certo, tempo e dinheiro investido para que? Para agora se ver amargar em imaginações de como poderia ter sido? Estava quebrando uma promessa que fizera para si mesmo, de que não irritaria mais com estas questões, e que tentaria com todo esforço se colocar acima da servidão em que se inclinara durante o ardoso processo de se construir uma vida a dois. Pagando sua conta, se confundiu como troco que recebera do atendente, por estar distraido se achando confuso nessa sua nova conduta, mas não se importou como troco era uma quantia ínfima, e o seu tempo ja estava ficando apertado para se ater com ninharias.
Comprimentou a todos do trabalho como o de costume, ate de quem não tinha muita simpatia, mas não o deixaria de fazer pois era contra seus principios, ser educado com quem temos certos restritos, para ele era uma maneira de tornar a vida social mais leve, via de uma forma, a facilitar as coisas, principalmente se dependesse daquela pessoa para alguma coisa ou favor futuramente, dificilmente encontraria uma recusa. De certo era revoltante as vezes não se obter essa reciprocidade, perdera as contas de quantas vezes contara ate dez para não explodir em palavras, mas antes de chegar ao sete se continha, mantendo a razão apostos. Na convivência com a sua ex, era igual, ficava irritado ao se lembrar disso, por achar que tinha sido passivo demais em todos os momentos evitando conflitos: " se ao menos eu tivesse aceitado as brigas..." pensava, mas não importava mais, o passado pertencia ao passado, e o que tentava focar agora era na forma talvez ate displicente de se relacionar com o sexo oposto, via no supérfluo das situações corriqueiras uma forma de escapar de si e de seus fantasmas do passado, e olha so que maravilha, (pensava) ainda teria cama com mulheres diferentes quando quisesse se esforçar para isso, afinal por que não aproveitar das regalias de ser solteiro?
 Era daqueles caras que em um circulo de amigos não se queria ter como rival para conquistas de uma mesma mulher em interesse, inteligente, íntegro, bem humorado quando queria  (não tanto ultimamente) eloquente, sabia conduzir uma conversa para o rumo que fosse, boa pinta de fato.


No trabalho o dia transcorria sem muitas surpresas, fez o que tinha que fazer de uma forma mecanizada com o minimo de atenção possível no que fazia para não ser chamado a atenção, mas por hora e outra se deliciava com lembranças de suas ultimas façanhas sexuais, para ele depois de tanto tempo com a mesma mulher, que já conhecia todos os trejeitos e manhas de como ela evitava ou buscava o sexo, (no final, mais evitava, realçando suas suspeitas) era diferente, agora era com uma oportunidade para se avaliar como amante na cama. pois os acontecimentos de um passado recente o deixaram na duvida, se era tão bom quanto achava. Mas tinha se firmado aliviado com os casos que teve ao longo de algumas semanas, constatando que sexo não fora o principal precursor do fim do que tivera. Lembrou de ter ficado feliz por isso com a terceira mulher com quem dormira junto nessa sua nova vida de solteiro, terceira essa que justamente que não quis ir para um motel, dizendo na cara dele que não queria ele a tratasse como qualquer uma, o levando para casa dela, apos um jantar, que ele previa sem muitas expectativas, por não ver nada nela que aparentemente pudesse ter afinidade com ele, ela era quase o oposto da sua ex, e algumas vezes a julgou ate vulgar pelos decotes e saias que usava.
Assinando papéis em sua mesa, esbouçou um leve sorriso, por ter sido surpreendido  por aquela dama de decote acentuado, que notara a algum tempo já que ela mexia o colo as vezes para lhe chamar a atenção, (caso que o fez a convida-la para jantar). Ela o tinha o impressionado de certa forma, era falante mas na medida certa, bem humorada, não falava muito de si deixando a conversa mais propicia a comentários e observações. Apreciava jazz assim como ele, com interpretes e compositores em comum, principalmente Billie Holiday, gastando assim alguns minutos falando de músicas que marcaram ambos. Tinham também gostos parecidos por escritores e cineastas em comum, algo como Dostoiévski, Kafka, Clint Eastwood e Woody Allen. 
Estava perto de terminar o expediente, os amigos solteiros e até alguns casados, do trabalho iriam se reunir (claro) como toda sexta feira paulistana em algum barzinho da cidade para descontrair, o convidaram, mas este recusou dizendo que tinha outros planos.
Pensava em ir de novo a casa daquela mulher de conversa e cama tão agradável, saiu do serviço, rumo a uma adega, comprou o mesmo pinot noir que tomaram na outra noite. Não queria ligar para ela avisando que iria, sabia que ela saia um pouco tarde do trabalho, e pensou em fazer uma surpresa. Ele foi para sua casa, tomou um banho e fez a barba ao som de Fígaro, Largo Al Factotum, interpretado pelo seu tenor favorito, Pavarotti, fazer a barba com gosto, exige esse ato do Barbeiro de Sevilha. Passou seu melhor perfume, algo novo que a impressionasse, se trocou rápido, pois no seu rádio relógio já marcava 21:45, de uma sexta feira fria e chuvosa ate então. Pegou o vinho entrou em seu carro, ligou o som, tocava ocasionalmente Let's Stay Together, do Al Green.
Estava entusiasmado,  esperançoso como a tempos não estivera, 
estava querendo se apaixonar!




                                             Al Green - Let's Stay Together
                  









terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um Conto... Um Vazio... Uma "Lady" Em Cetim...

terça-feira, 23 de agosto de 2011
Faltavam alguns minutos para deixar o trabalho, já não concentrava mais sua atenção no que fazia, olhava atentamente para o ponteiro dos minutos que insistia em se arrastar. Tudo que queria por hora, era largar tudo ali, não conseguiu terminar o que estava fazendo, deixaria para fazer amanhã, afinal nem era nada tão urgente assim. Foi o que fez, faltando dois minutos para cumprir o seu horário, pegou sua bolsa, seu guarda-chuva e seu celular, e foi embora, estava atordoada por conta de pensamentos que lhe consumiam ao longo de quatro dias, por ele, aquele canalha nem ao menos mandara uma mensagem, deixando-a cheia de duvidas, cheia de "por quês".
Pretendia chegar logo em sua casa, alimentar o gato, pois não lembrava se já tinha feito antes de sair para trabalhar. Agora era apenas tomar um banho e pensar na vida, pensar em como tudo era mais leve antes de deixar-se seduzir, em como tudo era mais simples quando era a detentora das situações, quando os homens imploravam por sua atenção e ela se divertia como isso, rindo deles, enquanto se arrumava para mais um encontro com mais um "trouxa", que naquela noite não ganharia nada mais que um beijo - merecido até, era o que costumava pensar - pelos esforços em entreter-la, afinal ainda pretendia estar no comando, era um jogo simples em que indiretamente ela ditava as regras, no tempo que era uma tipica tirana. 
Se enrolando na toalha após o banho, se perdia em pensamentos, desejando tanto não ter conhecido aquele homem, na maldita hora que jogara seu olhar de intrigada para o pouco caso que ele fizera do seu decote e de seus outros atributos físicos que tanto a orgulhavam. Teve uma suspeita de que ele possivelmente fosse gay, mas logo em seguida deixou de pensar nessa possibilidade, ouvindo certa vez ao telefone dizer com um ar sacana para uma possível "peguete", que esta, estava gostosa no último encontro.
Em seu quarto, vestiu uma calcinha confortável e uma camiseta que usava pra dormir, não pensava em sair mais de casa, era uma quinta feira a noite de clima ameno. O gato se lambia em cima da cama, enquanto ela passava um de seus muitos cremes para pele, mais pensamentos amargos lhe dominavam, dando-se conta de que ele fora o único homem que ela levara para dormir em sua cama, - coisa que nunca se permitiu fazer isso com outro -  e pensar nisso a fazia infeliz, pelo desdem daquele homem que fora uma das melhores "camas" de sua vida. Não queria se deitar naquela que outrora fora um ninho de intensos prazeres, onde o cafajeste - aquele que ela não conseguia parar de pensar -  colecionou dela tantos orgasmos e afagos, tirando quase sem esforço todas as suas feições e expressões de vontade, permitindo que ele tivesse acesso em sua íntima entrega. Era praticamente impossível dissimular, ela se doava voluntária, sem restrições. 
Apagou a luz ao sair do quarto, foi rumo a cozinha com seu gato trançando um galope por entre suas pernas, miando. Alimentou o pobre bicho, sentou-se, mordeu um pedaço de queijo, devolveu ao prato, pois a fome que sentia não era de comida. Reparou na meia garrafa de merlot em cima da pia, ao lado uma taça suja de batom com resto de vinho, pensou em beber mas desconsiderou o vinho, porque para ela exigiria uma companhia, coisa que não teria naquela noite, imaginava. Tinha que ser algo mais forte. Lembrou da garrafa de vodka  - presente de algum admirador - que estava encostada no fundo do congelador, serviu com gelo ate um pouco mais da metade do copo e foi pra sala, deixando seu gato no escuro terminar sua primeira refeição do dia. 
Nem ousou em ligar a televisão, antes de sentar no seu sofá  foi ate a pratilheira de cd's que ficava ao lado de um monte bagunçado de livros, procurava por algum disco que fizesse ajudar suportar melhor sua vodka e seu recente amargo emocional. Na primeira fileira não encontrou nada  que lhe agradou, até passar seus olhos pela parte de jazz, não pensou duas vezes retirou um pouco empoeirado, Lady In Satin, da Billie Holiday, essa seria sua trilha, nada mais perfeito para a angustia que estava sentindo, a melancolia cantada por aquela voz tão doída, somada a sua dor, era o que iria imperar naquele ambiente. Acendeu uma luminária, pegou seu celular - em uma ultima agonizante esperança dele se comunicar - junto com a sua bebida, deitou-se no canto oposto a luz velada, ficando na penumbra, cobriu as pernas com um cobertor  que já ficava de prontidão em seu sofá, apertou o play no controle remoto do som, começando I'm A Fool To Want You. Deu uma tragada forte tirando dois dedos da bebida em seu copo, o relógio luminoso de algum aparelho marcava 22h53, e estava infeliz, mas não conseguia chorar, apenas se indagar sobre o que ela tinha ou não feito, que o afastara. E assim foi ate o fim do copo, restando apenas o gelo, fixava seu olhar para janela a sua frente, via através dela pedaços de prédios distantes, e em maior parte a abóboda celeste. Ficou ali estática mirando o infinito azul escuro, tentando encontrar em si mesma respostas para suas cruéis duvidas que faziam tanto mal. Sentiu seus olhos pesarem uma certa hora, assim caindo em um sono profundo, isso foi antes do disco terminar. 
Despertou com a claridade da manhã de um céu cinza nublado e chuvoso, o relógio cintilava 07h27, olhou para seu celular, nenhuma chamada perdida, nem uma mensagem, sua angustia permanecia ainda, bem nauseante. Se deu conta de que a tristeza dominava ainda mais o seu interior. Foi então que as primeiras lágrimas lhe veio aos olhos. Várias outras começaram a rolar junto com as gostas de chuva que escorriam pelo vidro da janela do lado de fora. Era uma sexta feira, naquele dia, ela não foi trabalhar... sentia-se doente... perdidamente apaixonada!



Artur César        
23/08/2011


                                             Billie Holiday, Lady In Satin - I'm A  Fool To Want You


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desapego

segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Escrevi outro dia em um rascunho qualquer: " houve um tempo em que chegar e sair era apenas uma questão querer e de alguns passos dados." De certo que minha atual condição me fez ter tal pensamento a respeito. Desde que me entendo por gente, no fundo, sem querer sabia que não seria uma pessoa constante em pensamentos e atitudes e isso me parecia estranho por achar que ser um ser mutável, seria visto pelas outras pessoas como "um cara qualquer sem personalidade", e me incomodava ser visto assim, porque aqui dentro começava a gerar um turbilhão de ideias anseios e "achismos" pro mundo que despontava diante dos meus pés, e que ser e estar, de fato era apenas questão de querer dar alguns passos em direção a esses objetivos. O difícil de lidar com isso era organizar tantos pensamentos, desejos e vontades, alguns assim nem tão importantes, mas que era necessário ter o que se queria, pra descobrir e refletir sobre um frustração, era interessante esses novos processos de aprendizagem, mas ao mesmo tempo tão vago. Quando se esta em preparo pra fase adulta, existe um tipo de experiencia classificada como empíricas, que assim como as outras (que já se obteve) determinará junto como o seu  caráter, o que irá definir você pra você mesmo, isso é importante porque mesmo não tendo o controle sobre o que os outros irão pensar sobre você, essas experiencias te dão aparentemente uma forma, pra como se comportar e dizer o que se pensa, e ate as afinidades que determinaram com que se identificará. Experiencias empíricas, dentro da filosofia são aquelas que já foram vividas das quais se podem argumentar por algo já passado ou que esteja sendo vivido, como por exemplo um soco, ate então é só uma palavra pra uma agressão física, mas levado um, quantas outras experiencias não são descobertas além da dor, como por exemplo a dor moral, a raiva a humilhação etc. etc. Pro amor também, sem querer fazer alusões entre socos e amor, mas em algum lugar pra alguém deva fazer até algum sentindo isso, espero que não pra você que esteja lendo, já ouvi dizer, e vi tantas formas estranhas de amar, que amar alguém dando porrada nem é tão esquisita assim, imagino que pessoas que amem devam aprender a socar, digo amar em aulas de boxe, a arte de amar na base da pancada, mas isso já é outro post, anyway.


 O ponto que quero chegar mesmo é no desapego, de experiencias, de ideias, de pessoas, de sentimentos, de relacionamentos e alguns ate da vida. Chegamos ao mundo como um recipiente a ser preenchido de pensamentos, sentimentos e experiencias adquiridas ao longo de uma jornada, e quão não deva ser difícil pra um pessoa se acostumar com o que é novo ou se adaptar a uma nova condição, e tempos depois por infortuno da vida, ou de excessos desmedidos, ações impensadas, a dolorosa escolha ate então não considerada, é a unica porta pra se libertar de peso que te impede de prosperar, de crescer. escolha bem difícil, pois não é fácil deixar pra trás certas afeições, e mergulhar de cabeça no abismo de incertas novidades, com o  pessimismo cético de que as coisas nunca serão tão boas quanto foram, mas que é necessária  uma ruptura porque na real situação não dá mais pra suportar. Isso me lembra de uma citação que Stendhal fez em O Vermelho E O Negro, que me memorizei, e acho que vem bem a calhar, sobre a vida e as coisas das quais ao longo dela temos que usar o desapego:


"Quais serão suas pretensões, se algum dia tiver todo o poder sobre mim? Pois bem! Direi como Medeia: Em meio a tantos perigos resta-me eu"


Escolhi essa citação, por ela dizer exatamente o óbvio, e que é tantas vezes ignorado por nos mesmos, ate distraídos pelo desconforto do desapego, mas sempre restará a mim mesmo, no final de um ciclo, ferido ou aliviado, é com as minhas próprias pernas que darei o próximo passo.
O desapego é irresignado por um tempo, amargo e doloroso, mas um 
processo fundamental para que se liberte de uma casca, e que no seu novo mundo, asas o ajudarão  em novas aventuras, mas como muitas coisas, isso é só mais uma questão de ponto de vista!


                               Valentina Igoshina - Chopin, prelude Op. 28/15 in D flat major 'Raindrop    
                                


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Muito Tempo Pra Pouco Acontecimento. (Verdade Chinesa)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Ando numa fase sem grandes acontecimentos de verdade, no trabalho, na vida social na amorosa então, um completo desastre como a dois anos e meio mais ou menos (mas isso é um post futuro se estiver afim de escrever sobre isso). Mas essa fase, se da a situação em que me encontro, ferido como "atleta", com o orgulho futebolístico mais ferido ainda  pelo lance que precedeu  meu desligamento, do joelho e das quadras, ter batido na trave e nem ter entrado pro gol, sim, foi frustrante não ter marcado aquele gol, que por hora penso que foi minha ultima atuação como jogador, pode me achar um idiota se quiserem, que diante de um fato de não poder andar dignamente a meses, eu reclamar que não consegui ajudar o meu time doando ate os ligamentos do meu joelho para aquela partida. Mas eu acredito que ate o Ronaldo fenômeno gostaria de ter mandado a bola pra rede antes de ter fudido o joelho duas vezes, a incerteza do golaço é que algumas vezes perpetua em nossas mentes, Ronaldo compreendo, a frustração e até a dor física, mas são lances da vida, fazer o que? 
Lances da vida como qualquer outro, como por exemplo poderia ter acontecido comigo andando despretensiosamente na rua, ou no bar com os amigos, mas isso não vem ao caso porque isso pode parecer destino, e prefiro pensar mesmo que foi um aviso. Aviso pra que eu desse um tempo em algo, e pra largarmos um habito é preciso tempo, e com o problema desses (que necessitou uma cirurgia, e uma pós-cirurgia doloridissima) tempo é o que mais tenho de sobra, devido a recuperação lenta. Coisa que me queixava antes, tempo de não por em dia minha leitura, acumulada em pilhas de livros meio lidos e de revistas de filosofia jogadas na estante, tempo de não escrever de quando inspirado, era justamente onde eu não tinha papel nem caneta ou nenhum computador por perto; de ouvir os quase 30 gigas de jazz no meu playlist (que infelizmente meu  hd externo bixou e continuo sem poder ouvir meu "pequeno" acervo de jazzistico, oh derrota, como diria um amigo meu).
Mas a queixa agora é outra, muito tempo pra pouco acontecimento. O que me faz pensar que não existe uma satisfação que me deixaria alegre num todo, pois eu quero poder ler horas,  mas quero ter preguiça as vezes; quero poder escrever e preferir não fazer porque está passando as últimas contagens de mortos no conflito la na Líbia (uma coisa de fato importante pra se deixar de escrever affff so eu mesmo, tsc tsc); de ouvir meu jazz relaxante e gostoso, e as vezes quando quero fazer isso, quero também irritar o meu cachorro, me irritando junto com os latidos que tantas vezes acho insuportáveis, e que por hora acho legal "brincar" com bichinho, até a hora que ele me morde, ai perde a graça me fazendo ficar de mal daquele viadinho, enfim.


Mas me pergunto se existe um denominador comum para as nossas  vontades tolas, junto com a nossa necessidade de se auto cobrar produtivamente, existe mesmo esse equilíbrio entre fazer algo inútil e produzir algo interessante que te deixe orgulhoso, se existe, onde fica? por que é difícil seguir a linha ténue quase invisível que nos aborrece se estamos nos levando a serio de mais ou de menos? bom sei la não tenho essa resposta pra você, porque não tenho nem pra mim, mas é confortante saber que na história, não só nos, os simples mortais oscilamos com isso, como por exemplo, posso dar por hora, o do filme Amadeus, em que o gênio Mozart além de escrever verdadeiras obras primas pra humanidade, perdia também parte do seu tempo correndo atras de mulheres pra lhe fazer cocegas, isso é so o que eu lembro por hora de uma inutilidade, que um gênio aparentemente fazia. nem sei de verdade Mozart fora esse fanfarão como diz o filme, nunca li a sua biografia, mas é uma forma confortante de se pensar, que ate mesmo um  imortal, um gênio  se distrai com bobagens e frivolidades, vai saber se é dali que vinham suas inspirações que mudaram o mundo, mas é um fato, ele produzia!


Escrevendo sobre isso me veio aquela musica do Emílio Santiago, Verdade Chinesa
que em uma parte ele diz:
 "...
Muita coisa a gente faz
Seguindo o caminho
Que o mundo traçou
Seguindo a cartilha
Que alguém ensinou
Seguindo a receita
Da vida normal...

Mas o que é
Vida afinal?
Será que é fazer
O que o mestre mandou?
É comer o pão
Que o diabo amassou?
Perdendo da vida
O que tem de melhor..."

canta ai pra eles Emilio diz o que de verdade a gente tem no coração

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Homens Não Gostam De Serem Lembrados, Gostam Mesmo De Serem Esquecidos...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Adoro observar o comportamento feminino, acho fascinante essas criaturas que fazem os dias dos homens na terra serem tão maravilhosos, sem ironias (mas há quem não pense assim, mas não vem ao caso agora) . Analisar as mulheres da minha época, pra mim, não é uma tarefa tediosa nem tão pouco uma falta de ter uma ocupação melhor.
 Andei refletindo com meus botões no que uma querida amiga (que me deu um apelidinho bem carinhoso), me disse timidamente a algumas semanas atrás, que respeitosamente sarcástico chamei de “princesas pós-modernas” as que se identificam com essa frase que ela me disse, a frase é a seguinte (ou mais ou menos a seguinte pelo que me lembro ao certo): “Que príncipe encantado que nada, o bom mesmo é o lobo mau, que com orelhas grandes te ouve melhor, com a boca grande pode te beijar melhor, com os olhos grandes pode te observar melhor e que além disso ainda te come!”.
Não sei se era bem nessa ordem, mas aqui os meios não vão alterar isso que acho um fato, de que uma mulher quer ser democraticamente, ouvida, beijada, observada e divinamente comida.

Ta certo que existe uma necessidade por trás disso de fazer uma invejinha para as amigas, de que seu amante atual é o melhor do mundo e de que na noite passada deu ate acabarem suas forças, nem sei se é pecado generalizar, mas no circulo feminino uma mulher bem comida e sinônimo de uma mulher mais feliz e mais invejada.
 Pode parecer estranho, porém eu acho um certo romantismo nisso tudo. O cara não precisa ser um marido ou um namorado, tão pouco ela estar perdidamente apaixonada pra que se consiga isso de seu parceiro. Romântico porque buscam tudo isso as vezes ate no idiota bêbado bonitinho, que no fundo, alcoolizado ou não, só quer uma coisa e não é ser observado, olhado, ou beijado devidamente. Se trata apenas de “comer aquela gostosa” , e não precisa nem ser divinamente, mantendo uma ereção já está de bom tamanho.
Para o homem, o negocio gira em torno dele ser notado, visto acompanhado, na cabeça dos homens, estar acompanhado e o mesmo que dizer: “eu vou comer ou eu estou comendo essa gracinha”, mas nunca admitiremos isso, somente em uma conversa telepática, que só quem tem um pênis consegue entender (talvez funcione como uma antena vai entender), essa é a invejinha que os homens fazem entre eles.Que fique bem claro, que por eu ter um pênis não me faz agir e pensar igual a todos (mas também não posso ser hipócrita e dizer que nunca agi assim).


A visão feminina é tão interessante, não pelo fato delas gostarem de comentar num grupo (só de mulheres), com riqueza em detalhes e gestos com as mão, o formato anatômico que as realizaram na noite anterior. Não sei se para outros caras que já presenciaram uma conversa assim, mas isso é bem constrangedor, como por exemplo ser espiado no mictório pelo cara do lado.
 Acho a visão feminina interessante por elas darem tantas pistas do que querem, e nos homens distorcemos uma coisa que é bem simples, o que elas pretendem é justamente serem intrigadas, seduzidas e marcadas.

 Não falo daquele xaveco furado que com êxito, se conseguiu leva-la para cama, satisfazendo apenas duas necessidades fisiológicas, aquela que cada um goza vira e dorme ou paga a conta do motel e vai embora. Me refiro a forma de marcar uma dama a ponto de ser lembrado em certos momentos inusitados e íntimos dela. 
Como por exemplo no banho dela, enquanto ela se ensaboando fecha os olhos e começa a se lembrar de como foi tocada aquele dia pelas suas mãos. Ou por exemplo (meu preferido) o cruzar de pernas, comprimindo as coxas se arrepiando por inteira, fazendo-a se arquear toda, pela lembrança da sensação de como é ter você no meio das pernas dela. Ou mesmo de uma mensagem antiga no celular que necessariamente não está dizendo nada de importante, mas que ela não apaga porque é sua. De alguma música, que nem faça parte do gênero musical que ela goste, mas que estranhamente faz lembrar de como você foi “o cara”, em uma situação, dentro na cabecinha dela.  Ou quando você a convida para qualquer evento tolo, previsto que será um fracasso certo, mas que não a fazem pensar duas vezes em dizer sim, mesmo tendo que acordar cedo no dia seguinte, mas que sentiu tanto sua falta que não conseguira dormir se tivesse negado sua campainha.

Imagino que meios entendedores(as), devam pensar que estou fazendo apologia a iludir ou fazer se apaixonar sem um interesse como plano de fundo. Não é isso, eu falo é de literalmente marcar, de ter sido o único homem naquele momento, naquela época a ter feito ou dito aquilo. Falo de conquistar uma admiração de um coração que tudo que queria era ser afagado, e que oportunamente tu estava ali por perto, e por que não o fazer?
Mas os homens deturpam esses ideais femininos achando os tão complexos e difíceis de serem administrados que querem mesmo a quantidade do que a qualidade, preferindo não serem lembrados. Certos homens não gostam de serem lembrados, gostam mesmo de serem esquecidos. Isso é apenas uma das vantagens para homens como eu.

Artur César


                                                           

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Um Histórico Produtivo Do Msn...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Foi em uma madrugada carregada de risadas, provocações, de um dialogo sacana e bem produtivo

Mademoiselle X diz: (01:51):
cade vc?
Art ----| : 
aqui  =]
Mademoiselle X diz:
Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável pelo que me fizeste ontem. A noite era quente e calma, e eu estava em minha cama, quando, sorrateiramente, te aproximaste. Encostaste o teu corpo sem roupa no meu corpo nu, sem o mínimo pudor! Percebendo minha aparente indiferença,aconchegaste-te a mim e mordeste-me se
Até nos mais íntimos lugares. Eu adormeci.
Hoje quando acordei, procurei-te numa ânsia ardente, mas em vão.
Deixaste em meu corpo e no lençol provas irrefutáveis do que entre nós ocorreu durante a noite.
Esta noite recolho-me mais cedo, para na mesma cama, te esperar. Quando chegares, quero te agarrar com avidez e força. Quero te apertar com todas as forças de minhas mãos. Só descansarei quando vi
Só descansarei quando vir sair o sangue quente do seu corpo.
Só assim, livrar-me-ei de ti, pernilongo Filho da Puta!!!!

Art ----| diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mademoiselle X diz:
boa ne?
rsrsrs
Art ----| diz :
kkkkk rindo ate agora, a onde vc achou isso ?
bom de mais
Mademoiselle X diz: 
diz aqui que foi Drummond
Art ----| diz:
kkkk magnifico
Ela Diz:
eu rolei derir
na minha casa tem bastante
vou mostrar pra minhas amigas
seu pau é magnifico
sua lingua é magnifica
sua voz é magnifica me pedindo
sua boca me tocando é magnifica
sua lingua na minha bunda é magnifico
isso é só pra rir
rsrs
Art ----| diz:
kkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Mademoiselle X diz:
ta rindo do que agora ?
rsrsrs
Art ----| diz: 
diante de tanta magnitude... nem me pronuncio kkkkkkk
Mademoiselle X diz:
rsrsrsrsrs vc é uma delicia
Art ----| diz: 
vc é ótima 

Bom, e claro que não revelaria nem sobre tortura quem seria a provocante Mademoiselle, apesar de me ver as vezes cafajeste, mas um cafajeste de princípios, por favor. A madrugada seguiu, como disse no começo carregada  de fantasias, risadas, poesia, sacanagens e o principal sem culpas. Esse histórico me rendeu mais dois textos mais tarde, um deles classificaria como li num livro de poemas de Bocage, como "um poema marginal. As vezes um histórico mostra que nem sempre a intimidade é uma merda como diz um certo dito popular. 
Já vocês que conversam comigo no msn, vai que um dia não conversamos algo de produtivo, que valha apena ser lembrando em um post, brincadeirinha hehehe  =]

domingo, 14 de agosto de 2011

Viver... quantas provas mais terei que passar para constar, para quantas pessoas mais terei que escrever, falar e se possível gritar, que viver não e nenhum pesar...

domingo, 14 de agosto de 2011
Existem situações que acontecem  que embora se tenha conhecimento de uma real situação (de vida ou de morte), nem sempre quer dizer que pelos esforços que se fez, se tem o controle ou a força de mudar um fato constatado. E então a frustração se torna uma navalha que rasga o peito e deixa a deriva a alma que fica tão pequena, cabendo na palma da mão, tão vulnerável a um simples aperto, fazendo-a se esvair por entre os dedos. Meios adultos, mas tão imaturos de não se conformar com que pode não ser alterado, ou obtido! alem da idade, o que nos difere de uma simples criança mimada?


Gustave Doré - Andromeda
Tao tolo por pensar que uma decisão tão importante me cabia em mãos, que triste definhar nesses pensamentos de que “eu” poderia ser a diferença de alguém. É tão horrível agora me conformar nos espinhos desconfortáveis da indiferença, era obvio e de certo que seria um incomodo, mas meu grande e estabanado coração apenas vai. Ah quantas vezes eu disse a mim mesmo que não deixaria ninguém mais, me fazer sentir o que estou sentindo, me fazendo em pedaços no vazio da minha impotência. Sonhar deveria ser proibido pra pessoas como eu, Se bem que não devem existir tantos tolos ou nenhum tão tolo como eu. Se realmente houver um final feliz, por que ele repele a quem tanto sente assim? No final dessa historia, eu que quis apenas tirar sorrisos so consegui molhar com minhas lagrimas este papel em que escrevo. Que dor imensa que eu sinto, que vergonha não ter conseguido. Triste por hora, mas não desisto, e tão pouco desistirei do que fui, do que me fez ser e do que ainda serei!!

Artur César

terça-feira 24/01/2011 04:54

penso um dia usar isso em algum possível personagem em que pretendo criar, foi escrito com tanta agonia, entre lagrimas e soluços, que quando terminei senti que tinha saído uma tonelada, mais uma tristeza não menos resignada!

ps: fiz esse post ao som de Chico Buarque- Aquela Mulher

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Encarando um "demônio" invisível

sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Não se esquece uma madrugada assombrosa, em que seus pensamentos te fazem refém.
Escrevi essa carta pensando em endereçar para uma pessoa, porém me faltou coragem para entregar, receoso de expor um medo que constataria uma fraqueza e fragilidade que enfrentava na época! é difícil se esquecer de uma madrugada em que o ar ate falta pelo excesso de palavras que estão por explodir, não tendo meios de colocar as razões a postos, de alguma forma elas precisam sair, pra que se consiga então dormir.


Gustave Doré - Satã, paraiso perdido... 1866 
Sábado, 16 de janeiro de 2010
 Devaneios em uma madrugada qualquer... (My Own Hell)


Ola, tempos que me privo, deste que pra mim era um enorme prazer, aqui estou eu novamente, fazendo o, mas sem entender bem o por que, ou talvez saiba e use o alto engano para um disfarce, talvez aquietar meu ser. Ando fugindo de mim mesmo, me ocupando de frivolidades, sem pensar nas percas do que de mim se foi, ou o que de mim somou. Mas acho que o que mais incomoda meu espirito, e de evitar de ter uma conversa de mim para comigo, e envolto a muitas pessoas, percebo que as vezes me estranho, e como sempre me vem aquela subta constatação de que sou um ser incompreendido, e de que não quero e não faço nenhum esforço para assim o ser, pois creio que se assim o sou, teria que ser percebido, e enxergado como sou, não apenas como uma companhia para trivialidades. Repito não quero ser o centro de nada, nem de ninguém, quero apenas poder dizer que ''sou”, tal como sou para mim mesmo aqui dentro de mim e que ninguém jamais conseguirá ver com meus olhos. E não quero e nem posso esperar nada de ninguém, compaixão ou simpatia, quero apenas saber melhor, ser eu mesmo, mas um eu mais leve. Mais as pessoas em suas verdades e razões oprimem, e assim ficam muitas coisas por serem ditas, então o que me resta e observar. Como se já não bastasse ter que ser tudo isso , e de tudo ser demasiado ''tão'' em mim. Nunca tinha me ocorrido que minha intensidade assusta as pessoas, mas se deixo ela sei que não sou eu, e fica um fado tão pesado pra carregar. Como Sísifo, prefiro nem pensar, vou apenas subindo minha montanha com a pedra que e posta por mim mesmo, e me vejo envolto do que posso chamar de meu próprio inferno. Não culpa de ninguém, se ando meio perdido em devaneios. Mas tambem não posso me ver agonizando dentro de mim.

Artur César






terça-feira, 9 de agosto de 2011

Essa Parte de Mim...

terça-feira, 9 de agosto de 2011

"Essa parte de mim..." eu criei pra expor de fato uma parte mim,a parte em poesia, literatura e musica e toda manifestação de arte me fascina, e que no reduto do meu lar me domina. Pelo desejo incontrolável de criar e também de admirar, essa e uma parte de mim que nunca irá se calar. então me perguntei hoje: "Por que não compartilhar?". bom ai está... vamos ver os comentários, e no que isso dará.
Precisava de um texto novo pra inaugurar, então criei este abaixo, escrevi rápido de forma que espero que me perdoem os erros, os futuros, prometo serem melhor revisados! =]


É essa parte de mim,
que agora me permite vir aqui
e compartilhar,o que há de mais
 intenso e avassalador, 
que nunca escapa, 
nem se afasta  por fim.

e essa parte de mim...
que por mais que encare 
o mundo e as pessoas, 
com a minha filosofia 
não me deixa imune
de uma tristeza tão 
descabível assim

são muitas partes de mim,
que oscilam entre, 
a melancolia desmedida,
para exaltação a alegria,
como que por puro encanto
sem pó de perlimpimpim.

é dura essa parte de mim...
quando quer descarregar, 
no mundo meu humor negro,
que cabe no papel, e assim,
mantem em segredo.

e estranha essa parte de mim..
que se entretê com distrações
que ao invés de chorar
prefere se enganar sorrindo 
de meras ilusões.  

Mais tem a parte de mim...
que enfrenta a realidade densa,
se curvando pra vida, 
recolhendo as recompensas,
aceitando resignada suas sentenças.


tem a parte cafajeste de mim...
que se apaixona e seduz as mulheres,
cabendo essa arte numa noite,
olhos nos olhos, e entrega o que elas querem,
 no dia seguinte não telefona, porém nao esquece.


tardando mais nunca faltando
o romântico predominante de mim...
com seus versos, se expõe pro mundo
com vontade, na representação 
do seu tempestuoso e impetuoso coração, 
que nunca desiste, sem exitar, insiste
sempre estendendo suas mãos, 
pois sabe que encontrará em um grande amor
a sua sonhada redenção.

enfim...
ninguém nunca irá saber, 
no exato momento 
qual deles impera em mim
suposições, deduções, intuições
são validas sim!
mais é fato que..
houve muitos de mim...
existem muitos de mim...
existirão muitos de mim...
enquanto eu ainda existir!

Artur César 10/08/2011 02:00 am
 
Essa Parte de Mim... © 2008. Design by Pocket