terça-feira, 15 de novembro de 2011

Na Arte de Complicar ... (#1)

terça-feira, 15 de novembro de 2011
imagem: Alex Cherry

Estou indo atrás de algo que eu possa suportar...

quantas vezes por essa  
mesma estrada eu já não passei,
sorrindo ou chorando, não importa
só as coisas boas essas sim eu tirei.

Tem coisas na vida que nos
prendemos perguntando por que acontecem,
outras mais importantes, que simplesmente agente esquece
ai e que complicar acaba virando uma arte quando a gente 
vê que essas bobagens, levam de nos uma parte!

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Das Mulheres Pela Minha Vida...

quinta-feira, 10 de novembro de 2011
senjukannon - Yuta Onoda


Muito penso nas mulheres
que passaram pela minha vida...

Umas tão tímidas,
outras desinibidas,
em muitas retraídas,
encontrei feras feridas.


Quase nenhuma frigida
difícil esquecer as promiscuas.
Algumas que fugiam dos amores,
das dores, de si mesmas, da vida.

Tantas que fingiam ser o que
não eram, nem o que podiam ser
Varias tão carente, de sexo,
de afago, que se doariam num todo
pelo prazer lhes dado.

Mulheres caladas a espera de alguém
que lhes preencham a alma,
mas demoram a encontrar quem.
Das que muito falam, a deriva do beijo
que definitivamente as calam.

Muitas foras amigas em horas
alegres e de despedidas, em noites
solitárias ou de boemia.
Das "doentes", que vazias de sentimentos
que por inveja feriam os contentes
quase sem motivo aparente.

As fáceis enganadas,
que com a inocência pagavam.
As vaidosas de ego tombado,
frágeis e chorosas, tantas vezes
arrependidas pelo próprio pecado.
A amante apaixonada mesmo casada,
vai a procura de algo que lhe falta,
trocando a culpa, por ser desejada.

Enfim...
Todas elas com uma unica qualidade.

Por serem mulheres, trazem anulado
todos os seus defeitos.
Posso dizer sem arrependimento,
para todas que carregam a
humanidade nos seios,
que devem ser ignorados,
todos seus pecados.


Artur César
14/07/2011




quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Simplesmente Luna

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Simplesmente Luna...
Escritora, amiga, criativa, provocante e... (piadinha interna).
Na minha curta existência em blogs, já vi alguns post's dedicados a essa querida pessoa de 1,65m que acredita em duendes. Faço esse dedicado também, pela forma direta e indireta em que ela me isentiva, instiga, provoca e inspira, em seus textos (em palavrasdeluna.blogspot.com) ou nas nossas conversar todas super produtivas (aqui falo por mim, Rá!).
Outro dia, comentando em dos seus post's tive um insight, e dele saiu esse singelo poeminha que gostei tanto de ter produzido! To Luna...
imagem - all is mine - Yuta Onada

Lunar

Na madrugada ela vem,
toda manhosa,
me investindo em prosa,
e assim ela é
toda maravilhosa,
com toda gostosura
que cabe em 1,65m.
Lábios apostos,
com um pontinho
no canto a enfeitar,
desferindo a voz miada,
me enchendo de água
o paladar.
Ah lua, se você soubesse
o que essa Luna
tem de brilho,
sairia de fininho,
se esconderia atras do sol
roubaria uma estrela,
pra imitar seu pontinho,
que embora negro,
reluz os lábios
na fonte de impetuosos
desejos, que me deixam
desse lado quase
que de joelhos,
sonhando com todos,
mas todos, os beijos.
Ah lua, se você soubesse
de todos estes gracejos
da Luna,
se cobria com um manto,
de vergonha, como de quem foi
exposta nua, perante
a um brilho do olhar
devorador da Luna.


Artur César
27/09/2011 - 16:53 
imagem - Daisuke Ishiwatari




quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Em Combate...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Inspirado nos combates que travamos com quem mais amamos, dos anos desgastados, com sentimentos em pedaços, mutilados, em lutas sem glórias. Porque no final de tudo, não importa a vitória ou a derrota, se a tática de defesa e ataque, foram as únicas armas usadas em quem a gente supostamente ama, em quem a gente gosta! 

longrass-Colwyn Thomas

Te dedico minha alma,
a sua vitoria, enlaçada em
minha frustrada derrota.

Enraizada em sua gloria,
foram os meus melhores anos,
desiludido, em sua amarga vitória.

Em combate...

Oferecia as rosas sinceras
de meu peito prado,
dele, tu colhias espinhos
e murchos cravos.

Na paz...

Por medo começávamos
outra guerra, pela coragem,
mantínhamos, inundando
de lagrimas a terra.

A rendição...

Nunca existiu,
ao baixar da guarda, quando
menos se esperava nos
perguntávamos, o por que
do golpe que se desferiu.

No desfecho...

Por subestimar a sua fragilidade,
ser aniquilado por você, foi crucial,
sempre em palavras me desferindo,
o misericordioso e preciso golpe final.

Artur César 05/10/2011 04:20 am

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Obra Prima

terça-feira, 4 de outubro de 2011
Na desmedida vontade, em uma noite inspiradora de me apaixonar novamente por versos, revirando algumas paginas de Shakespeare, lendo o demasiado "humano" (personagem) de Romeu, me bateu uma saudade de escrever algo belo, que muitas esperanças, alguém, um dia, ao meu coração prometeu! Nessa madrugada dormi contente com o resultado dos rabiscos que no papel se deu, pelos suspiros inspirados, em ritmos, vezes harmoniosos, vezes descompassados que meu coração bateu. Apenas gostaria de em um futuro próximo, encontra-la, e mostrar-lhe o que dessa noite inspiradora sucedeu, vai que ela sorrindo, encantada olhando pra mim, me diz: "Como são lindo os versos teus!"



imagem - Carne Griffiths


Louco de amor,
desatina em mim o desejo
com irrefutável fulgor.


O corpo que fala em gestos,
desejando a minha própria sorte,
a entrega do seu corpo espero.


Que se entregue a mim,
te serei eternamente devoto,
por não antes ter te encontrado,
será meu verdadeiro remorso.


Infindáveis horas a te compor em versos,
atrás de palavras que expressem, 
o que de você, realmente quero.


No rastro do seu perfume,
voz e olhar, 
com essa minha sina a me guiar,
apostando de olhos fechados
certo de que vou te achar.


Se me ignoras, sem olhares,
nem respostas, sigo lento,
buscando mais inspirações
do meu humilde talento.


A mercê de uma futura sorte...


Com uma única razão para ser seu,
enumerando razões para que sejas minha,
porque em ti, darei o titulo,
da minha mais linda obra prima.

Artur César
22/04/2011  17:45

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Legado

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Quando voltei a escrever, esse poema foi um dos primeiros que saiu!
tenho uma vontade de musicar ele, de mostrar pra um amigo de uma banda famosa que também faz letras, mais ou menos nesse sentido!
Assim como muitos que escrevo me veio como um devaneio, de algo que já vivi, e dessa experiencia me dei esse presente!
Friedrich, Caspar David - O viandante sobre um mar de névoa

Dos propósitos aos remorsos,
dos erros aos desejos,
na esperança do prazer
querendo mais do que a
vida pode oferecer.

O amanha vem, o que você
vai fazer para o seu bem?
apostar no presente, que mal tem ?

O querer que entorpece,
quando na luxuria se perde,
rumo de uma estrada que enlouquece
o norte vira sul, e o leste oeste,
caminhos que antes
já foram parar muitos outros errantes.

Marcado por impulso impensado,
que no futuro foge
para não repetir o passado,
o infame de ontem
que hoje pode ser apagado,
trilhando um novo começo,
seu novo legado.

(Artur César) 03/10/2010 5:37 am




ps: essa pintura de Friedrich, Gaspar - O Viandante... é uma das minhas preferidas !

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Dos (Des)Encontros!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

imagem: Carne Griffiths


Em (des)encontros colhemos tantos contos, e quão bom são os contos, contados com o peito carregado de euforias ou de (des)esperanças, perdendo o olhar pelo horizonte, a onde a aventura que se foi, ou que poderia ter sido, dissipou-se! Por fim, mais passos avante, na busca incessante, do que mesmo? Só adiante pra descobrir!



Foram tantas ligações...
ligações sem sinal,
premeditando bem o nosso final,
eu dizendo, "tudo bem"
e você me dizendo, "isso é tão normal".

Quantos recados em
papeis deixados,
agendando encontros,
colhendo desencontros,
não deixando rastros de nós,
não deixando contos de nós.


Nossa vida juntos,
foi uma sucessão de 'agoras'
sem planos, sem sonhos, 
tudo fora, improvisando sempre,
quase em cima da hora.

Aqueles recados ignorados,
amassados, rasgados, hoje
estão como nossos sentimentos,
que já não podem ser mais colados.
Momentos felizes, já fazem parte do passado.

Culpas cobertas por um tapete,
vivemos os remorsos de tantas
(des)esperanças e sonhos possíveis,
desencontrados, tantos detalhes ignorados,
e então o tempo mostra a importância
daqueles recados deixados.

Artur César
domingo 10/04/2011  13:35

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Um Manifesto Interno (Desmotivado)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011


imagem:el_capitan - Yuta Onoda

Por mais que ajude algumas pessoas com a minha filosofia, com meu modo de ver o mundo e as pessoas, as vezes eu não posso evitar que no ambiente em que me encontro, o baixo astral impere, apesar do meu bom humor (quase sempre), não estou imune de ficar com a auto-estima em baixa, de ficar melancólico, de as vezes querer descarregar meu humor negro no mundo e em algumas pessoas! Muito pelo contrario isso vem a doses cavalares, que as vezes eu mesmo não me suporto e utilizo de distrações, para uma fuga de mim, de meus pensamentos, como por exemplo, os livros, a internet, a cerveja, e algumas porcarias musicais, justamente pra não pensar no quanto essa realidade esta sendo tão densa pra mim! Esse é um lado que não mostro muito pra ninguém, que transporto pro papel e ali eu deixo sem cutucar com vara curta. 
Sentir, essa palavra sempre teve um significado tão grande pra mim, que na atual fase tem sido tão pesada. Sinto o peso da compaixão, de olhares alheios que analisam "clinicamente" a minha condição de ferido, camuflo com destreza, mas isso me aniquila por dentro.
Mais que o fator físico que me atrapalha hoje, me impondo nessas condições de servidão mais profunda do que de costume, o meu equilíbrio psicologico, parece que também entrou numas de atraiçoar-me. Eu não esperava que o fator psicológico fosse tão difícil como esta sendo, medos e incertezas que tirava de letra, estão me acompanhando cada vez que abro os olhos para um novo dia, fazendo-me evitar olhar no espelho e enxergar somente que a minha barba esta crescendo, que meu cabelo esta crescendo e que junto, cresce também a minha angustia, e um anseio de querer voltar a minha vida ativa de antes. Me culpo tanto por ter tido a chance de evitar tantas coisas, tantos excessos, que  enxergo agora, com os resultados apurados da minha conduta errônea.  
Os arrependimentos, consequência dos erros, existem e talvez seja deles que tire as forças que tenho agora, pra minha vontade, meu desejo de mudanças internas, de exigir um novo "eu", aquele, que abandonei em algum canto por ai!

E o que esta me restando agora também, é sentir saudades, muitas, não de ninguém especificamente (por hora), mas de mim mesmo,  de sentimentos que habitavam esse ser que se julgava tão leve em princípios, simples em atitudes, despido de culpas! Saudades de poder dizer coisas belas, de formar frases que encantavam a mim mesmo, sem medo de parecer patético, ou tão pouco ridículo no meu lirismo muitas vezes exacerbado, confesso. Não como agora que muitas coisas que componho, são versos que amargam ao serem relidos, mas que tem a sua importância, em minha fonte de inspiração!
Ao contrario do que de costume, meus pesadelos por hora, se dão ao dia, acordado, pois é no cair da noite, mais por volta da meia noite, longe de olhares e longe de tudo, no meu infinito particular, que posso degustar um pouco do que é, estar normal, e menos desmotivado!  







Miles Davis - Round Midnight

domingo, 11 de setembro de 2011

Fragmentos Memoráveis II

domingo, 11 de setembro de 2011
Mais um poeminha, "meio sujo"
Imagem - Carne Griffiths


Querendo de volta tudo que tive,
mas nunca tive,
saudades dos meus sentimentos,
vontade de querer te, não querendo.

Hoje entre milhares de estranhos, faz falta
a troca dos nossos olhares provocantes,
que não tenho mais dos seus olhos castanhos.

A saudade já virou plural,
quando vejo que a vontade que vem
de mim, já se tornou dual.

Aquela voz que trazia o beijo, 
que marcava o gosto,
que inspirava em cheiro, 
que levava ao toque,
que me arremetia a loucura
e que colhíamos em gozo.

Hoje não me contento com o casual,
acendemos naqueles tempos, volúpias
e impeto, por razão qual?
Se bem me lembro foi pela maciez
e o tamanho do meu...

Tempestuosa era a cama,
onduladas pelos lençóis,
denso, com meu eu sozinho agora,
querendo o que não mais me pertence
imaginando ter de volta o que talvez nunca tive.

Artur César
05/01/2011 21:49pm

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Fragmentos Memoráveis I

segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Um  "poeminha" meu sem muitas pretensões, apenas para constar alguns fragmentos memoráveis! Inspirações que tiramos dos sentidos, e claro, da "cama"!

Wesley Duke Lee


Em uma madrugada qualquer
sem hora marcada, ou ligações planejadas,
velhos novos arrepios sussurrados no ouvido,
deixando em restos, a saudade,
nostálgico prelúdios de nossos encontros,
quando a sedução era nossa arte.

Embalados em livros e taças de vinho,
fantasiando a meia luz,
de tema aquele sofisticado ritmo
enfeitiçados pelos olhos,exaltando os sentidos.

Ela esta onde eu termino, estou onde ela começa,
cumplicidade que nos favorece,
nessas madrugadas que simplesmente
não cabem culpas, nem minhas nem suas,
apenas dois iguais em suas tórridas procuras.

Desejos que ardem, num calor que se espalha,

gozar nada sereno, que tiram o folego de tão intensos,
da voracidade, o impeto que nos deixa marcados,
ela e minha envolvente tentação
e eu seu adorável pecado



Artur César - 27/10/2010 

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Um Conto... Algumas Possibilidades... Duas Esperanças...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011
Era uma manhã de sexta feira de um tempo fechado, cinza e feio, uma garoa fina com um vento gelado que cortava a atenção de qualquer pensamento absorto. Ele pensava muito nas situações e atitudes que determinavam o fim de um relacionamento, o mais duradouro que tivera ate então. Olhou para seu relógio que marcava 07:45, percebeu que estava adiantado para o serviço, e que daria tempo para um desjejum, entrou em uma padaria a caminho de onde trabalhava pediu um chá mate quente para se esquentar e um pão de queijo aparentemente fresquinho fumaçando, embaçando o vidro da estufa pelo calor. A agitação das pessoas ao tomar o café da manhã, faladeiras e impacientes, era menos incomodo que o vento gelado que o impendiam de continuar seus pensamentos, matando sua fome era ate mais facil de retoma-los. Não achava facil se conformar afinal foi um tempo da sua vida que dedicara para que seu relacionamento desse certo, tempo e dinheiro investido para que? Para agora se ver amargar em imaginações de como poderia ter sido? Estava quebrando uma promessa que fizera para si mesmo, de que não irritaria mais com estas questões, e que tentaria com todo esforço se colocar acima da servidão em que se inclinara durante o ardoso processo de se construir uma vida a dois. Pagando sua conta, se confundiu como troco que recebera do atendente, por estar distraido se achando confuso nessa sua nova conduta, mas não se importou como troco era uma quantia ínfima, e o seu tempo ja estava ficando apertado para se ater com ninharias.
Comprimentou a todos do trabalho como o de costume, ate de quem não tinha muita simpatia, mas não o deixaria de fazer pois era contra seus principios, ser educado com quem temos certos restritos, para ele era uma maneira de tornar a vida social mais leve, via de uma forma, a facilitar as coisas, principalmente se dependesse daquela pessoa para alguma coisa ou favor futuramente, dificilmente encontraria uma recusa. De certo era revoltante as vezes não se obter essa reciprocidade, perdera as contas de quantas vezes contara ate dez para não explodir em palavras, mas antes de chegar ao sete se continha, mantendo a razão apostos. Na convivência com a sua ex, era igual, ficava irritado ao se lembrar disso, por achar que tinha sido passivo demais em todos os momentos evitando conflitos: " se ao menos eu tivesse aceitado as brigas..." pensava, mas não importava mais, o passado pertencia ao passado, e o que tentava focar agora era na forma talvez ate displicente de se relacionar com o sexo oposto, via no supérfluo das situações corriqueiras uma forma de escapar de si e de seus fantasmas do passado, e olha so que maravilha, (pensava) ainda teria cama com mulheres diferentes quando quisesse se esforçar para isso, afinal por que não aproveitar das regalias de ser solteiro?
 Era daqueles caras que em um circulo de amigos não se queria ter como rival para conquistas de uma mesma mulher em interesse, inteligente, íntegro, bem humorado quando queria  (não tanto ultimamente) eloquente, sabia conduzir uma conversa para o rumo que fosse, boa pinta de fato.


No trabalho o dia transcorria sem muitas surpresas, fez o que tinha que fazer de uma forma mecanizada com o minimo de atenção possível no que fazia para não ser chamado a atenção, mas por hora e outra se deliciava com lembranças de suas ultimas façanhas sexuais, para ele depois de tanto tempo com a mesma mulher, que já conhecia todos os trejeitos e manhas de como ela evitava ou buscava o sexo, (no final, mais evitava, realçando suas suspeitas) era diferente, agora era com uma oportunidade para se avaliar como amante na cama. pois os acontecimentos de um passado recente o deixaram na duvida, se era tão bom quanto achava. Mas tinha se firmado aliviado com os casos que teve ao longo de algumas semanas, constatando que sexo não fora o principal precursor do fim do que tivera. Lembrou de ter ficado feliz por isso com a terceira mulher com quem dormira junto nessa sua nova vida de solteiro, terceira essa que justamente que não quis ir para um motel, dizendo na cara dele que não queria ele a tratasse como qualquer uma, o levando para casa dela, apos um jantar, que ele previa sem muitas expectativas, por não ver nada nela que aparentemente pudesse ter afinidade com ele, ela era quase o oposto da sua ex, e algumas vezes a julgou ate vulgar pelos decotes e saias que usava.
Assinando papéis em sua mesa, esbouçou um leve sorriso, por ter sido surpreendido  por aquela dama de decote acentuado, que notara a algum tempo já que ela mexia o colo as vezes para lhe chamar a atenção, (caso que o fez a convida-la para jantar). Ela o tinha o impressionado de certa forma, era falante mas na medida certa, bem humorada, não falava muito de si deixando a conversa mais propicia a comentários e observações. Apreciava jazz assim como ele, com interpretes e compositores em comum, principalmente Billie Holiday, gastando assim alguns minutos falando de músicas que marcaram ambos. Tinham também gostos parecidos por escritores e cineastas em comum, algo como Dostoiévski, Kafka, Clint Eastwood e Woody Allen. 
Estava perto de terminar o expediente, os amigos solteiros e até alguns casados, do trabalho iriam se reunir (claro) como toda sexta feira paulistana em algum barzinho da cidade para descontrair, o convidaram, mas este recusou dizendo que tinha outros planos.
Pensava em ir de novo a casa daquela mulher de conversa e cama tão agradável, saiu do serviço, rumo a uma adega, comprou o mesmo pinot noir que tomaram na outra noite. Não queria ligar para ela avisando que iria, sabia que ela saia um pouco tarde do trabalho, e pensou em fazer uma surpresa. Ele foi para sua casa, tomou um banho e fez a barba ao som de Fígaro, Largo Al Factotum, interpretado pelo seu tenor favorito, Pavarotti, fazer a barba com gosto, exige esse ato do Barbeiro de Sevilha. Passou seu melhor perfume, algo novo que a impressionasse, se trocou rápido, pois no seu rádio relógio já marcava 21:45, de uma sexta feira fria e chuvosa ate então. Pegou o vinho entrou em seu carro, ligou o som, tocava ocasionalmente Let's Stay Together, do Al Green.
Estava entusiasmado,  esperançoso como a tempos não estivera, 
estava querendo se apaixonar!




                                             Al Green - Let's Stay Together
                  









terça-feira, 23 de agosto de 2011

Um Conto... Um Vazio... Uma "Lady" Em Cetim...

terça-feira, 23 de agosto de 2011
Faltavam alguns minutos para deixar o trabalho, já não concentrava mais sua atenção no que fazia, olhava atentamente para o ponteiro dos minutos que insistia em se arrastar. Tudo que queria por hora, era largar tudo ali, não conseguiu terminar o que estava fazendo, deixaria para fazer amanhã, afinal nem era nada tão urgente assim. Foi o que fez, faltando dois minutos para cumprir o seu horário, pegou sua bolsa, seu guarda-chuva e seu celular, e foi embora, estava atordoada por conta de pensamentos que lhe consumiam ao longo de quatro dias, por ele, aquele canalha nem ao menos mandara uma mensagem, deixando-a cheia de duvidas, cheia de "por quês".
Pretendia chegar logo em sua casa, alimentar o gato, pois não lembrava se já tinha feito antes de sair para trabalhar. Agora era apenas tomar um banho e pensar na vida, pensar em como tudo era mais leve antes de deixar-se seduzir, em como tudo era mais simples quando era a detentora das situações, quando os homens imploravam por sua atenção e ela se divertia como isso, rindo deles, enquanto se arrumava para mais um encontro com mais um "trouxa", que naquela noite não ganharia nada mais que um beijo - merecido até, era o que costumava pensar - pelos esforços em entreter-la, afinal ainda pretendia estar no comando, era um jogo simples em que indiretamente ela ditava as regras, no tempo que era uma tipica tirana. 
Se enrolando na toalha após o banho, se perdia em pensamentos, desejando tanto não ter conhecido aquele homem, na maldita hora que jogara seu olhar de intrigada para o pouco caso que ele fizera do seu decote e de seus outros atributos físicos que tanto a orgulhavam. Teve uma suspeita de que ele possivelmente fosse gay, mas logo em seguida deixou de pensar nessa possibilidade, ouvindo certa vez ao telefone dizer com um ar sacana para uma possível "peguete", que esta, estava gostosa no último encontro.
Em seu quarto, vestiu uma calcinha confortável e uma camiseta que usava pra dormir, não pensava em sair mais de casa, era uma quinta feira a noite de clima ameno. O gato se lambia em cima da cama, enquanto ela passava um de seus muitos cremes para pele, mais pensamentos amargos lhe dominavam, dando-se conta de que ele fora o único homem que ela levara para dormir em sua cama, - coisa que nunca se permitiu fazer isso com outro -  e pensar nisso a fazia infeliz, pelo desdem daquele homem que fora uma das melhores "camas" de sua vida. Não queria se deitar naquela que outrora fora um ninho de intensos prazeres, onde o cafajeste - aquele que ela não conseguia parar de pensar -  colecionou dela tantos orgasmos e afagos, tirando quase sem esforço todas as suas feições e expressões de vontade, permitindo que ele tivesse acesso em sua íntima entrega. Era praticamente impossível dissimular, ela se doava voluntária, sem restrições. 
Apagou a luz ao sair do quarto, foi rumo a cozinha com seu gato trançando um galope por entre suas pernas, miando. Alimentou o pobre bicho, sentou-se, mordeu um pedaço de queijo, devolveu ao prato, pois a fome que sentia não era de comida. Reparou na meia garrafa de merlot em cima da pia, ao lado uma taça suja de batom com resto de vinho, pensou em beber mas desconsiderou o vinho, porque para ela exigiria uma companhia, coisa que não teria naquela noite, imaginava. Tinha que ser algo mais forte. Lembrou da garrafa de vodka  - presente de algum admirador - que estava encostada no fundo do congelador, serviu com gelo ate um pouco mais da metade do copo e foi pra sala, deixando seu gato no escuro terminar sua primeira refeição do dia. 
Nem ousou em ligar a televisão, antes de sentar no seu sofá  foi ate a pratilheira de cd's que ficava ao lado de um monte bagunçado de livros, procurava por algum disco que fizesse ajudar suportar melhor sua vodka e seu recente amargo emocional. Na primeira fileira não encontrou nada  que lhe agradou, até passar seus olhos pela parte de jazz, não pensou duas vezes retirou um pouco empoeirado, Lady In Satin, da Billie Holiday, essa seria sua trilha, nada mais perfeito para a angustia que estava sentindo, a melancolia cantada por aquela voz tão doída, somada a sua dor, era o que iria imperar naquele ambiente. Acendeu uma luminária, pegou seu celular - em uma ultima agonizante esperança dele se comunicar - junto com a sua bebida, deitou-se no canto oposto a luz velada, ficando na penumbra, cobriu as pernas com um cobertor  que já ficava de prontidão em seu sofá, apertou o play no controle remoto do som, começando I'm A Fool To Want You. Deu uma tragada forte tirando dois dedos da bebida em seu copo, o relógio luminoso de algum aparelho marcava 22h53, e estava infeliz, mas não conseguia chorar, apenas se indagar sobre o que ela tinha ou não feito, que o afastara. E assim foi ate o fim do copo, restando apenas o gelo, fixava seu olhar para janela a sua frente, via através dela pedaços de prédios distantes, e em maior parte a abóboda celeste. Ficou ali estática mirando o infinito azul escuro, tentando encontrar em si mesma respostas para suas cruéis duvidas que faziam tanto mal. Sentiu seus olhos pesarem uma certa hora, assim caindo em um sono profundo, isso foi antes do disco terminar. 
Despertou com a claridade da manhã de um céu cinza nublado e chuvoso, o relógio cintilava 07h27, olhou para seu celular, nenhuma chamada perdida, nem uma mensagem, sua angustia permanecia ainda, bem nauseante. Se deu conta de que a tristeza dominava ainda mais o seu interior. Foi então que as primeiras lágrimas lhe veio aos olhos. Várias outras começaram a rolar junto com as gostas de chuva que escorriam pelo vidro da janela do lado de fora. Era uma sexta feira, naquele dia, ela não foi trabalhar... sentia-se doente... perdidamente apaixonada!



Artur César        
23/08/2011


                                             Billie Holiday, Lady In Satin - I'm A  Fool To Want You


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Desapego

segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Escrevi outro dia em um rascunho qualquer: " houve um tempo em que chegar e sair era apenas uma questão querer e de alguns passos dados." De certo que minha atual condição me fez ter tal pensamento a respeito. Desde que me entendo por gente, no fundo, sem querer sabia que não seria uma pessoa constante em pensamentos e atitudes e isso me parecia estranho por achar que ser um ser mutável, seria visto pelas outras pessoas como "um cara qualquer sem personalidade", e me incomodava ser visto assim, porque aqui dentro começava a gerar um turbilhão de ideias anseios e "achismos" pro mundo que despontava diante dos meus pés, e que ser e estar, de fato era apenas questão de querer dar alguns passos em direção a esses objetivos. O difícil de lidar com isso era organizar tantos pensamentos, desejos e vontades, alguns assim nem tão importantes, mas que era necessário ter o que se queria, pra descobrir e refletir sobre um frustração, era interessante esses novos processos de aprendizagem, mas ao mesmo tempo tão vago. Quando se esta em preparo pra fase adulta, existe um tipo de experiencia classificada como empíricas, que assim como as outras (que já se obteve) determinará junto como o seu  caráter, o que irá definir você pra você mesmo, isso é importante porque mesmo não tendo o controle sobre o que os outros irão pensar sobre você, essas experiencias te dão aparentemente uma forma, pra como se comportar e dizer o que se pensa, e ate as afinidades que determinaram com que se identificará. Experiencias empíricas, dentro da filosofia são aquelas que já foram vividas das quais se podem argumentar por algo já passado ou que esteja sendo vivido, como por exemplo um soco, ate então é só uma palavra pra uma agressão física, mas levado um, quantas outras experiencias não são descobertas além da dor, como por exemplo a dor moral, a raiva a humilhação etc. etc. Pro amor também, sem querer fazer alusões entre socos e amor, mas em algum lugar pra alguém deva fazer até algum sentindo isso, espero que não pra você que esteja lendo, já ouvi dizer, e vi tantas formas estranhas de amar, que amar alguém dando porrada nem é tão esquisita assim, imagino que pessoas que amem devam aprender a socar, digo amar em aulas de boxe, a arte de amar na base da pancada, mas isso já é outro post, anyway.


 O ponto que quero chegar mesmo é no desapego, de experiencias, de ideias, de pessoas, de sentimentos, de relacionamentos e alguns ate da vida. Chegamos ao mundo como um recipiente a ser preenchido de pensamentos, sentimentos e experiencias adquiridas ao longo de uma jornada, e quão não deva ser difícil pra um pessoa se acostumar com o que é novo ou se adaptar a uma nova condição, e tempos depois por infortuno da vida, ou de excessos desmedidos, ações impensadas, a dolorosa escolha ate então não considerada, é a unica porta pra se libertar de peso que te impede de prosperar, de crescer. escolha bem difícil, pois não é fácil deixar pra trás certas afeições, e mergulhar de cabeça no abismo de incertas novidades, com o  pessimismo cético de que as coisas nunca serão tão boas quanto foram, mas que é necessária  uma ruptura porque na real situação não dá mais pra suportar. Isso me lembra de uma citação que Stendhal fez em O Vermelho E O Negro, que me memorizei, e acho que vem bem a calhar, sobre a vida e as coisas das quais ao longo dela temos que usar o desapego:


"Quais serão suas pretensões, se algum dia tiver todo o poder sobre mim? Pois bem! Direi como Medeia: Em meio a tantos perigos resta-me eu"


Escolhi essa citação, por ela dizer exatamente o óbvio, e que é tantas vezes ignorado por nos mesmos, ate distraídos pelo desconforto do desapego, mas sempre restará a mim mesmo, no final de um ciclo, ferido ou aliviado, é com as minhas próprias pernas que darei o próximo passo.
O desapego é irresignado por um tempo, amargo e doloroso, mas um 
processo fundamental para que se liberte de uma casca, e que no seu novo mundo, asas o ajudarão  em novas aventuras, mas como muitas coisas, isso é só mais uma questão de ponto de vista!


                               Valentina Igoshina - Chopin, prelude Op. 28/15 in D flat major 'Raindrop    
                                


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Muito Tempo Pra Pouco Acontecimento. (Verdade Chinesa)

quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Ando numa fase sem grandes acontecimentos de verdade, no trabalho, na vida social na amorosa então, um completo desastre como a dois anos e meio mais ou menos (mas isso é um post futuro se estiver afim de escrever sobre isso). Mas essa fase, se da a situação em que me encontro, ferido como "atleta", com o orgulho futebolístico mais ferido ainda  pelo lance que precedeu  meu desligamento, do joelho e das quadras, ter batido na trave e nem ter entrado pro gol, sim, foi frustrante não ter marcado aquele gol, que por hora penso que foi minha ultima atuação como jogador, pode me achar um idiota se quiserem, que diante de um fato de não poder andar dignamente a meses, eu reclamar que não consegui ajudar o meu time doando ate os ligamentos do meu joelho para aquela partida. Mas eu acredito que ate o Ronaldo fenômeno gostaria de ter mandado a bola pra rede antes de ter fudido o joelho duas vezes, a incerteza do golaço é que algumas vezes perpetua em nossas mentes, Ronaldo compreendo, a frustração e até a dor física, mas são lances da vida, fazer o que? 
Lances da vida como qualquer outro, como por exemplo poderia ter acontecido comigo andando despretensiosamente na rua, ou no bar com os amigos, mas isso não vem ao caso porque isso pode parecer destino, e prefiro pensar mesmo que foi um aviso. Aviso pra que eu desse um tempo em algo, e pra largarmos um habito é preciso tempo, e com o problema desses (que necessitou uma cirurgia, e uma pós-cirurgia doloridissima) tempo é o que mais tenho de sobra, devido a recuperação lenta. Coisa que me queixava antes, tempo de não por em dia minha leitura, acumulada em pilhas de livros meio lidos e de revistas de filosofia jogadas na estante, tempo de não escrever de quando inspirado, era justamente onde eu não tinha papel nem caneta ou nenhum computador por perto; de ouvir os quase 30 gigas de jazz no meu playlist (que infelizmente meu  hd externo bixou e continuo sem poder ouvir meu "pequeno" acervo de jazzistico, oh derrota, como diria um amigo meu).
Mas a queixa agora é outra, muito tempo pra pouco acontecimento. O que me faz pensar que não existe uma satisfação que me deixaria alegre num todo, pois eu quero poder ler horas,  mas quero ter preguiça as vezes; quero poder escrever e preferir não fazer porque está passando as últimas contagens de mortos no conflito la na Líbia (uma coisa de fato importante pra se deixar de escrever affff so eu mesmo, tsc tsc); de ouvir meu jazz relaxante e gostoso, e as vezes quando quero fazer isso, quero também irritar o meu cachorro, me irritando junto com os latidos que tantas vezes acho insuportáveis, e que por hora acho legal "brincar" com bichinho, até a hora que ele me morde, ai perde a graça me fazendo ficar de mal daquele viadinho, enfim.


Mas me pergunto se existe um denominador comum para as nossas  vontades tolas, junto com a nossa necessidade de se auto cobrar produtivamente, existe mesmo esse equilíbrio entre fazer algo inútil e produzir algo interessante que te deixe orgulhoso, se existe, onde fica? por que é difícil seguir a linha ténue quase invisível que nos aborrece se estamos nos levando a serio de mais ou de menos? bom sei la não tenho essa resposta pra você, porque não tenho nem pra mim, mas é confortante saber que na história, não só nos, os simples mortais oscilamos com isso, como por exemplo, posso dar por hora, o do filme Amadeus, em que o gênio Mozart além de escrever verdadeiras obras primas pra humanidade, perdia também parte do seu tempo correndo atras de mulheres pra lhe fazer cocegas, isso é so o que eu lembro por hora de uma inutilidade, que um gênio aparentemente fazia. nem sei de verdade Mozart fora esse fanfarão como diz o filme, nunca li a sua biografia, mas é uma forma confortante de se pensar, que ate mesmo um  imortal, um gênio  se distrai com bobagens e frivolidades, vai saber se é dali que vinham suas inspirações que mudaram o mundo, mas é um fato, ele produzia!


Escrevendo sobre isso me veio aquela musica do Emílio Santiago, Verdade Chinesa
que em uma parte ele diz:
 "...
Muita coisa a gente faz
Seguindo o caminho
Que o mundo traçou
Seguindo a cartilha
Que alguém ensinou
Seguindo a receita
Da vida normal...

Mas o que é
Vida afinal?
Será que é fazer
O que o mestre mandou?
É comer o pão
Que o diabo amassou?
Perdendo da vida
O que tem de melhor..."

canta ai pra eles Emilio diz o que de verdade a gente tem no coração
 
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